Reflexões desde Corumbiara

Na celebração dos 20 anos da heroica resistência camponesa da fazenda de Santa Elina em Rondônia (ou commemoração dos 20 anos do episodio mais conhecido como Massacre de Corumbiara) reflexiono sobre uma mistura curiosa: revolucionários e autênticos lutadores populares entre uma multidão de pessoas com pouca ou ínfima consciência social. Todos são lutadores. Uns são ativistas, os outros camponeses, trabalhadores rurais brasileiros, resistentes.

Um dos principais objetivos da luta revolucionaria sempre tem sido compartilhar valores com o povo ou, dito de um jeito mais ofensivo, conquistar as massas. Aqui têm representantes da luta e têm representantes da massa alienada, no caso da clase trabalhadora rural. E parece bem difícil pros primeiros conseguir facilitar ferramentas aos segundos pra eles encontrar um caminho desalienador, para chegar a ser parte da transformação, da revolução.

Como vamos transformar a sociedade então? Como é que a humanidade vai conseguir destruir os tres pilares exploradores e responsáveis da desigualdade e a infelicidade, a burguesia, o latifundio e o imperialismo? Como é que vai chegar a Revolução Social num nível internacional, ou se quer nacional, se numa pequena comunidade rural que já tem um contexto histárico de luta e resitência e já conta com uma organização política estructurada está tao longe de representar uma alternativa real ao sistema?

Talvez ultimamente esteja transformando meu pensamento, mas neste preciso momento parece muito mais eficaz dentro da minha percepção humana a ideia de trabalhar intensamente pra criar consciência coletiva (social, ambiental, espiritual…) e transformar o mundo a partir da mudança individual de cada um – até acreditarmos que somos parte de um tudo, o povo humilde e a Terra, e por tanto comecemos a nos tratar todos como iguais, como irmãos e, então sim, passar ao convate contra os que de jeito nenhum entram nessa categoria fraterna – que a ideia de ir pra guerra popular sem preparar o terreno.

Resulta pra mim difícil e contraditorio de afirmar mas não desejo uma transformação social nas mãos de seres individualistas, consumistas e sem amor pela Mae Terra. Precisamos primeiro uma transformação humana. É preciso trabalhar muito na construço da consciência coletiva pra algum dia chegar a morar nessas utápicas pequenas comunidades autosuficientes e solidarias, felizes e em equilibrio com a natureza; pra algum dia chegar a ser libres.

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One Response to Reflexões desde Corumbiara

  1. Aquest sentiment contradictori entre revolució personal i revolució social deu ser força habitual. En tot cas no sembla fàcil esperar que les revolucions personals se sincronitzin per atzar generant una revolució social a escala planetària. Serà necessari que alguns col·lectius s’organitzin i comencin a tibar del carro, altrament veig difícil que s’arribi a canviar res.
    En això estem tractan de fer alguna cosa des del Parlament Ciutadà, Berta.
    Després de l’assemblea del proper dijous et passaré un text que suposo que aprovarem.
    Espero que t’agradi.

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